Maria Marmolejo, a mulher de Álvar Núñez Cabeza de Vaca era de uma família de conversos, os judeus que tinham adotado o catolicismo como forma de escapar à perseguição religiosa e ao rigor da Inquisição espanhola. Os pogroms e às agressões contra os judeus em 1328 no reino de Navarra e em 1391 em Castela e Aragão foram os precursores do levantamento anti-converso de Toledo em 1499. Tais episódios levaram a um declínio do judaísmo na península ibérica e a uma acelerada conversão ao catolicismo dos que pretendiam salvar a pele.

Entre os pensadores hispânicos, surgiram duas correntes: uma considerava os conversos como católicos de segunda linha. A outra recomendava que fossem mantidos sob permanente vigilância. O fato de Tomás de Torquemada ter origem conversa não o impediu de comandar com mão de ferro os processos da inquisição espanhola.

A adesão ao catolicismo não eliminou as resistências diante dos conversos. Em muitas cidades surgiram confrarias de conversos e de cristãos velhos. Mesmo entre os judeus, os conversos eram discriminados, embora não se possa apontar uma perseguição sistemática contra eles. Os monarcas espanhóis apoiaram os processos de conversão, embora no outro prato da balança houvesse a ameaça da Inquisição.

Os conversos foram também um dos alvos dos comuneros, o que pode explicar o fato de Cabeza de Vaca ter se alinhado com os defensores do sistema (coincidentemente, era esse o partido adotado pelo duque de Medina Sidonia, a quem Álvar Núñez prestava serviço).