Suposto brasão de Cabeza de Vaca
Suposto brasão de Cabeza de Vaca
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Em sua última batalha, Cabeza de Vaca não enfrentou nem índios, nem a natureza selvagem e desconhecida, mas um fiscal duro e tenaz. Em nome do imperador Carlos V, Juan de Villalobos tentou levá-lo à forca, manuseando as probanzas preparadas pelos inimigos do ex-governador quando ele estava preso em Assunção para tentar provar que ele fora um traidor e um incompetente. O contra-ataque de Cabeza de Vaca utilizou outros processos e muitos depoimentos, também acolhidos, pelo menos em parte por Villalobos. Esssa queda de braço jurídica permitiu que documentos relevantes fossem preservados. Documentos que ficaram mais de cinco séculos guardados no Arquivo das Índias de Sevilha e que agora são colocados à disposição de curiosos e pesquisadores.  

Entre as piores acusações apresentadas por seus rivais estava a que afirmava ter tido ele o costume de se apresentar como o único senhor da província do Rio da Prata, chegando mesmo a substituir o brasão do rei espanhol pelo de sua família.

A denúncia, sustentada pelas declarações de Juan Velásquez, pintor “nomeado pelos oficiais de Sua Majestade”, (isto é, por Irala e sua turma) incluíma uma tosca reprodução do que seria o tal brasão. Tosca, a obra tinha pouco a ver com a verdadeira cota de armas da família de Álvar Núñez e parece ter sido feita apenas para incriminar o ex-governador.

Outras probanzas organizadas a mando dos homens de Irala produziram farto material que acusava Cabeza de Vaca de vários crimes, como a condenação à morte do grupo de índios agazes; o enforcamento de um cacique sem julgamento; o roubo de algumas vacas nas ilhas Canárias; o saque a um galeão em Cabo Verde; a proibição de comércio com os índios e até mesmo por ter usufruido de certos privilégios durante a marcha para Assunção.

O advogado do ex-governador fez de tudo para inocentá-lo. Mas o primeiro embate foi uma derrota. Em 18 de março de 1551, seis anos e meio após seu retorno à Espanha, o Real e Supremo Conselho das Índias deu o veredicto: o réu foi considerado culpado, perdeu para sempre os cargos de governador e adelantado, ou qualquer outro “cargo de justiça em todas as Índias, Ilhas e Terra Firme de Sua Majestade para que ele não possa usar e nem exercer”. Além disso, ele teria de servir à coroa espanhola nas costas de Orã, no norte da África, “com suas armas e cavalos estando a serviço de Sua Majestade, sob pena de dobrar esse tempo de cinco anos”.

Mas não era o fim do combate, como demonstra o livro.

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