O cargo de inspetor de minas já existia no reino de Castela desde o século XIV. A esse funcionário cabia zelar para que a parcela destinada ao rei nas explorações minerais fosse devidamente paga, quando o sistema de exploração das jazidas era o da concessão. Os romanos já exploravam grande quantidade de minérios no território espanhol. Mas em Roma, as minas pertenciam, em princípio, ao proprietário do terreno e era proibido buscar metais em terreno alheio. Mais recentemente, foi estabelecida a autorização do imperador romano para realizar essa exploração, contra o pagamento de um décimo do que fosse extraído para o Fisco. Muitas vezes, os responsáveis pagavam essa participação com a produção de um canhão. O trabalho era efetuado por escravos, propriedade,dos concessionários ou por condenados. A legislação romana sobre o tema estava, em grande parte, reunida nas chamadas Leges metalli Vipascensis, referentes ao distrito mineiro de Vipasca.

A primeira regulamentação da atividade mineira na Espanha condicionou toda e qualquer exploração à autorização real. As minas seriam propriedade do rei quando localizadas em suas terras. Caso estivessem em terras particulares, a estes pertenciam, mas só podiam ser exploradas com autorização expressa e pagamento de tributo ao Fisco. A distinção entre a propriedade superficial da subterrânea ( que persiste no Brasil de hoje e em muitos países) foi estabelecida por D. Juan I em 1387. A partir daí, quem extraísse um mineral precisava arcar com todos os custos, ficando com um terço do resultado líquido (descontados os gastos) enquanto ao rei caberiam os outros dois terços.

O futuro historiador Gonzalo Fernández de Oviedo foi para o istmo do Panamá na condição de inspetor de minas e crimes, estabelecendo-se na costa do golfo de Urabá, na cidade de Balboa, Santa María la Antigua del Darién. O emprego não devia lhe tomar muito tempo, pois nessa época Oviedo escreveu a primeira e talvez única novela de cavalaria produzida na América, a história do famoso cavaleiro Claribalte.