Ao deixar a Flórida em 1537, Álvar Núñez Cabeza de Vaca tinha um plano: tornar-se governador da província e repetir – sem os erros – o trajeto de Pánfilo de Narváez Durante a viagem de volta, no arquipélago dos Açores, encontrou os desafortunados passageiros de outro navio. Seu comandante, Pedro de Mendoza, o primeiro governador da província do Rio da Prata, morrera a bordo no dia 23 de junho de 1537. É bem possível que na pacata vida do porto, Cabeza de Vaca tenha ouvido falar sobre as fabulosas riquezas do rei branco e sua Serra de Prata, alvo de nove entre dez conquistadores da época. Mas ele manteve seu sonho.
Chegando a Portugal, ficou sabendo que o imperador Carlos V já designara Hernando de Soto para o posto da Flórida. Nem assim, o ex-curandeiro desanimou. Redigiu um relatório de seus feitos e conseguiu audiência na corte. Mas não demoveu o imperador, que por sua vez, tampouco convenceu o postulante a tornar-se braço direito de De Soto.
Cabeza de Vaca foi para Jerez de la Frontera, escreveu um livro contando as peripécias que vivera e afinal, 18 de março de 1540, assinou uma capitulação com a coroa espanhola, obtendo o direito (condicional) de governar a província do Rio da Prata. Como em outros contratos do gênero, só teria vantagem se fosse bafejado pela sorte. Se tudo desse errado e Juan de Ayolas, apontado por Pedro de Mendoza como seu sucessor estivesse vivo, Álver Núñez teria de se contentar com a posse da ilha de Santa Catarina e suas adjacências, por um período de doze anos.
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