Entre os primeiros europeus a viverem na costa brasileira, uma das figuras mais fascinantes e misteriosas é o Bacharel de Cananéia, assim denominado por Diogo Garcia de Moguér, que chegou àquele porto no litoral sul do que hoje é o Estado de São Paulo em 1528. O português que navegava sob bandeira espanhola, ficou impressionado com o sujeito que possuía 200 escravos, seis mulheres, dezenas de genros e em conseqüência, um milhar de índios dispostos a lutar por ele. Garcia chamou o fulano de Bacharel de Cananéia. O navegador também anotou o verdadeiro nome do cidadão, mas justamente nesse ponto, o manuscrito se rasgou.
Em 1532, Martim Afonso de Souza ordenou que o aventureiro espanhol Ruy Moschera deixasse Iguape em 30 dias. Mas Moschera aliou-se ao bacharel e outros europeus descontentes e com a ajuda de 150 índios flecheiros, tomou um navio francês que se abastecia em Cananéia, apresando sua artilharia. Construiu uma trincheira e organizou a resistência em frente a barra de Icapara, local primitivo da fundação de Iguape.
Feroz luta foi travada, cerca de 80 portugueses dizimados, Pero de Góis foi ferido por um tiro de arcabuz. De posse de mais uma nau, Moschera ataca São Vicente. Mediante ardil, tendo o navio de Pero de Góis à frente, se fazem passar pela tropa portuguesa de retorno. Desferem violento ataque, invadem, saqueiam e incendeiam a Vila de São Vicente, fundada dois anos antes por Martim Afonso.
A “Guerra de Iguape”, primeiro conflito armado entre europeus travado em solo americano terminou com a fuga de Moschera para Porto dos Patos, de onde teria seguido para o Rio da Prata. Consta que o bacharel foi morto pelos próprios carijós em 1537.
O secretário particular de Cabeza de Vaca, Pero Hernández, não deixou qualquer referência sobre ele no texto dos Comentários, mas não há provas de que o bacharel estivesse realmente morto quando Álvar Núñez ali chegou, mandando fincar um marco de pedra para comprovar que o território pertencia à Espanha.
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