Francisco Pacheco: português, mulato, acabou deixando registrado seu nome na história do Porto dos Patos entre seus mais proeminentes pioneiros. Aparece com destaque na histórica jornada de Aleixo García, a quem acompanhou, sobrevivendo a um massacre no rio Paraguai. Com seu retorno à ilha [de Santa Catarina] foi, certamente, o portador do relato da caminhada e de algumas arrobas de prata e ouro. Conviveu no Porto dos Patos com os desterrados de Sebastián Caboto, presenciando, também, a sua polêmica tragédia. Casado com uma carijó, se com filhos deve ter gerado um ou mais tapuyuna, índio preto, segundo Boiteux. No início de 1530 embarca com Diego García de Moguer para São Vicente, prosseguindo viagem à Espanha, onde deembarca em 2 de agosto daquele ano, com mulher e alguns escravos índios.
Melchor Ramírez: espanhol da vila de Lepe que viera como alferes na armada de Solís, acompanhou a pioneira e secreta expedição portuguesa de Cristóvão Jacques, em 1521, ao Rio da Prata, como prático e intérprete, permanecendo no Porto dos Patos em seu retorno, onde era casado e com filhos, batizados também quando da chegada da nau San Gabriel, em maio de 1526. Voltou ao Prata em 1527 na armada de Caboto, levando a família a tiracolo. De volta à Espanha com Diego Garcia, foi nomeado, em 1535, escrivão da armada de D. Pedro de Mendoza que, em 1536, fundaria a vila de Buenos Aires, acompanhado de nosso ilustre “ilhéu”. Em Asunción, fundada em 1537, Ramírez passa a exercer o ofício de escrivão e anos depois ainda o exercia.
Para o autor, Gonçalo da Costa não estava na expedição de Solís:
“Se Gonçalo da Costa tivesse pertencido à expedição de Solís, Diego García de Moguer o conheceria e a ele se teria referido como ex-companheiro quando o encontrou em São Vicente em 1527, e não como um estranho, como o faz em seu memorial sobre este encontro. Gonçalo viaja à Espanha e retorna como piloto na histórica esquadra de D. Pedro de Mendoza que funda Buenos Aires e Asunción. Em 1540, novamente na Espanha, integra, como piloto e guia, a expedição de Cabeza de Vaca, participando da célebre entrada daquele Adelantado ao Paraguai. Em 1545, em Asunción, registra perante o alcaide mayor [juiz] da província do Paraguai informações sobre aquela histórica expedição, com algumas passagens interessantes sobre a estada de Cabeza de Vaca na Ilha. Acaba morrendo em 1558 nas mãos de indos da vila de São Vicente.
“(...) Nenhuma referência é feita sobre a possibilidade de ter sido um dos náufragos de Solís por José Toríbio Medina em sua longa monografia sobre este aventureiro português, obra aparentemente desconhecida dos historiadores catarinenses. Gonçalo que tinha uma rica história a ser contada, teria chegado ao Brasil na segunda viagem de Cristóvão Jacques, estabelecendo-se em São Vicente. No final de 1526 já estava casado com a filha do “Bacharel” [de Cananéia]. Acompanhou Diego García de Moguer em suas incursões pela costa brasileira e ao Prata, tendo em junho de 1530 zarpado de São Vicente em direção à Espanha na Santa María del Rosario, juntamente com o nosso “ilhéu” Francisco Pacheco, levando consigo escravos índios. De todos os nautas e aventureiros foi o que mais vezes aportou na Ilha de Santa Catarina”.
Enrique Montes: português de apenas 16 ou 17 anos quando do naufrágio, já que nascido em 1499, era um simples grumete na armada de Solís. Integrou-se rapidamente aos nativos e casou-se com, pelo menos, duas de suas mulheres e com elas teve filhos, batizados em maio de 1526 pelo capelão da nau San Gabriel. Destacou-se como uma figura importante para os navegadores que desembarcaram no Porto dos Patos ou na Ilha, e depois como integrante das históricas expedições de Sebastião Caboto e Martim Afonso de Sousa, ajudando a fundar a vila de São Vicente. Montes serviu com abnegação e desinteresse a Caboto, tanto na Ilha como na exploração da bacia do Prata e sobretudo na fortaleza de Sancti Spiritus e foi contemplado por Martim Afonso com ricas terras na vila fundada de São Vicente.
“Com as notícias de existência de prata, difundidas pelos sobreviventes da expedição de Solís, aumentou a freqüência de navegadores, sobretudo espanhóis, no Atlântico Sul. Enrique Montes, já com dez anos de Porto dos Patos, tornou-se o principal difusor das notícias, convencendo de Sebastián Caboto, que chegou a mudar o roteiro original de sua expedição, até Don João III, rei de Portugal que, em função das informações pessoais de Montes e de outros aventureiros, deu início a um processo colonizador, delegando a Martim Afonso de Sousa a tarefa de estabelecer núcleos de povoamento no Brasil. Montes, já condecorado, integra-se imediatamente à expedição, tornando-se um dos pioneiros e donatários de São Vicente, a primeira vila fundada no Brasil”.
Fonte: MOSIMANN, João Carlos. Porto dos Patos, 1502-1582: A Fantástica e Verdadeira História da Ilha de Santa Catarina na Era dos Descobrimentos. Florianópolis: Edição do Autor/Fundação Franklin Cascaes, 2002.
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