Nos processos judiciais e documentos envolvendo o nome de Cabeza de Vaca aparecem várias moedas, o que complica os cálculos e as comparações. Quando conseguiu o posto de tesoureiro na expedição de Pánfilo de Narváez, Cabeza de Vaca teve de depositar dois mil ducados nos cofres da coroa. Um ducado, moeda de ouro de 233 quilates, valia 375 maravedis, o que significa que ele empenhou 750.000 maravedis, ou o equivalente a cinco anos e meio de seu futuro salário no posto.

Para conseguir o posto de governador e adelantado da província do Rio da Prata, Cabeza de Vaca assumiu o compromisso de gastar pelo menos oito mil ducados ( três milhões de maravedis) na preparação da expedição. Numa probanza, ele procurou mostrar que gastara bem mais do que isso. Testemunhas arroladas por ele, asseguraram que armas, munições e mantimentos embarcados na nau capitânia, a Santa Lucia, ultrapassavam esses oito mil ducados, que deveriam se somar a outros seis mil na Trinidad e a dois mil numa caravela sem nome. Somando tudo, o conquistador teria investido (com ajuda da mulher, de amigos e de investidores) 16 mil ducados na expedição. Como seu salário era de dois mil ducados por ano, só mesmo encontrando ouro, prata ou outras riquezas, a aventura valeria a pena.

Como sabemos, seu governo foi um fracasso e ele chegou à Espanha na condição de réu. Em 1546, o fiscal do Conselho das Índias, Juan de Villalobos pediu que Cabeza de Vaca fosse obrigado a indenizar o patrimônio real, pois teria causado “um prejuízo de até cem mil ducados por seus excessos e mau governo.” Pouco depois, para obter direito à prisão domiciliar, Álvar Núnez teve de pagar mil ducados. Estava sem recursos e foi salvo por dois amigos.

Em 1551, Cabeza de Vaca reivindicou formalmente à justiça a devolução das propriedades e bens confiscados dez anos antes por Domingos Irala em Assunção. A reclamação mencionava, entre outras coisas, seis bergantins, quatro barcos leves, dois cavalos “e os filhos que deles tivessem nascido.” É difícil saber o exato valor desses bens: a  petição menciona 100 mil castelhanos (moeda de ouro cunhada inicialmente por Henrique IV e depois pelos reis católicos, e que, em 1483, valia 485 marevedis);  uma  testemunha estimou o valor dos bens como sendo o equivalente a 100 mil ducados e outro documento fala em 100 mil pesos de ouro. Fosse qual fosse a quantia, os membros do Conselho das Índias não aceitaram o pedido. Cinco anos mais tarde, sem ter seu pedido de ressarcimento atendido, Cabeza de Vaca recebeu afinal 12 mil maravedis para ajudar na cura de uma doença.

O complicado sistema monetário da época tinha suas origens no reinado de Alfonso VI, que cunhou as primeiras moedas após a conquista de Toledo (1085). Em 1172, Alfonso VIII de Castela começou a produzir moedas de ouro e pouco depois Fernando II de Leão (1157-1188) lançou os maravedís ou morabetíes, com um peso aproximado de 3,8 gramas cada. O nome maravedi significa moeda almorávide e na época, as de Castela tinham forma arábica e significação cristã nas legendas árabes. Levavam uma pequena cruz e o nome de Alfonso em latim e eram datadas conforme os anos da chamada era hispânica, de 1214 a 155. Foram usadas para facilitar o comércio com os muçulmanos nos domínios de Castela.
Após o reinado de Alfonso X (1252-1284), os maravedis foram substituídos pela doblas. Os reis católicos Fernando e Isabel iniciaram a padronização do sistema monetário peninsular. O ducado de ouro espanhol, que pesava 3,6 gramas surgiu como nome de Granada e equivalia a 375 maravedis.

Em 1537 surgiu o escudo ou coroa, uma nova moeda de ouro mais leve e mais fina com o objetivo de igualar a moeda castelhana à de outros países, evitando assim que fossem levadas para o exterior em massa. Valia 350 maravedis. Os reis católicos fixar um limite na quantidade de moeda em circulação, o que permitiu estabelecer um sistema estável, que funcionou durante quase todo o século XVI. Em 1548, Carlos V autorizou o aumento do chamado meio circulante (a expressão ainda não existia) e 1552 o teor de prata reduzido de 7 para 5 1 / 2 grãos de direito.