A história da família Fugger – como a dos Welser – é uma impressionante escalada social, com seu processo acelerado de enriquecimento e de ampliação de seu poderio. Provenientes de uma aldeia da região da Baviera, os Fugger eram mestres-tecelões em Augsburg, em meados do século XIV. No início do século XV, já tinham uma posição de respeito na comunidade. Jakob Fugger I, nascido em 1469, fundou uma casa de comércio que seus filhos Ulrich e Jakob II (1459-1525) tornariam uma das potências comerciais do planeta. A base de seu capital foi formada na feitoria de Innsbruck e no Tirol. Em pouco tempo, tinham o monopólio do cobre na Europa, com minas no Tirol, na Caríntia, Hungria e na Espanha.

A família envolveu-se em outros negócios, transferiu dinheiro para a Cúria papal pelos eclesiásticos a norte dos Alpes, participou do comércio das especiarias, organizou oficinas de tecelagem onde eram fabricados fustões que depois eram vendidos nos Países Baixos e na Itália. Isso tudo transformou a empresa da família, entre 1495 e 1525, na mais forte empresa comercial e também bancária da Europa do seu tempo, fazendo de Habsburgo um centro financeiro e político.

No início do século XVI, logo após a chegada de Cabral ao Brasil, os Fugger já estavam envolvidos no comércio de especiarias com as Índias. A descoberta do caminho marítimo para as Índias por Vasco da Gama e a quebra do poderio árabe do comércio, diminuiu a importância de cidades portuárias mediterrâneas, tais como Veneza e Gênova e, com elas, a de cidades intermediárias do Sul da Alemanha com a Europa Central e do Norte, tais como Augusburg, Nürenberg e Passau. Os Fugger reagiram às transformações e seguiram desde cedo dos passos dos portugueses, estabelecendo uma feitoria em Calicut.

No retorno da viagem de circunavegação de Fernando de Magalhães, os banqueiros compraram grande parte das mercadorias trazidas do Oriente. Por pouco, não se transformaram numa das forças da colonização da América Latina do que de fato aconteceu, pois em 1531, Carlos V assinou uma capitulação concedendo a eles o território das ilhas Chincha e o Estreito de Magalhães, no Chile, deveria ser entregue aos Fugger para a sua exploração e colonização. O contrato não foi concretizado e os Fugger voltaram-se para outros projetos. A bancarrota da Espanha de 1557 provocou a derrocada dos Fugger.

Habsburgo teve outras duas famílias economicamente fortes: os Welser e os Baumgartner.

Cristovão de Haro, de uma família de mercadores de Burgos e provavelmente um cristão novo, trabalhou com os Fugger, financiando o comércio de pimenta. Haro parece ter sido o financiador da expedição comandada por João de Lisboa e Estevão Frois que entre 1511 e 1514 alcançaram o rio da Prata e que segundo o manuscrito Newen Zeytung auss Pressilandt, uma espécie de newsletter dos Fugger sobre negócios no Novo Mundo, teriam também chegado a apenas 600 léguas de Málaca. Em 1516, após a implantação do monopólio real, por D. Manuel, Haro mudou-se para a Espanha.

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