Cotidiano de índios norte-americanos, século XVI
Cotidiano de índios norte-americanos, século XVI
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Depois de ter enfrentado três naufrágios, de perder a maior parte de seus companheiros e de servir de ajudante primeiro e pouco depois, como escravo, Cabeza de Vaca deixou a ilha do Mau Fado para se juntar aos índios charrucos no continente. E sua vida melhorou:

Cheguei lá passando por mercador e procurei usar o ofício o melhor possível. Com isto consegui obter um bom tratamento e o melhor para comer. Rogavam-me que fosse de uma parte a outra buscar as coisas que eles precisavam, pois em razão da guerra que constantemente enfrentavam não podiam estar saindo para buscar aquilo que necessitavam. Eu, com minha maneira de me relacionar, entrava terra adentro quando queria e me distanciava na costa até quarenta ou cinqüenta léguas. Minhas principais vendas eram caracóis do mar e conchas, que eles usavam para cortar uma fruta parecida com um grão de feijão e consumida tanto para tratamento de enfermidades, como em bailes e festas. Eu levava estes produtos terra adentro e em troca recebia couro e almagre. Dei-me muito bem com esta atividade, porque podia me deslocar por onde quisesse sem ser importunado por ninguém e em todo lugar que chegava era sempre muito bem recebido. Tornei-me muito conhecido entre todos os índios e onde eu chegava era sempre uma atração. Todavia, assim mesmo passei muitas dificuldades com estas andanças, enfrentando fome e perigo em períodos de tempestades e frio, dos quais só escapei pela misericórdia de Deus Nosso Senhor. Por causa disso, deixei de trabalhar no inverno, pois nesta época também os índios ficavam retraídos em suas cabanas e com poucas condições de sobrevivência. Fiquei quase seis anos nesta terra, só entre os índios e nu como eles andavam.

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