Esses caminhos tinham uma característica comum, observada pelo padre Pedro Lozano em sua Historia de la conquista del Paraguay:

(...)Por esta provincia Tayaoba, junto às cabeceiras do Rio Piquiri corre el camiño nombrado por los guaraníes peabirú y por los españoles de Santo Tomé (...), y tiene ocho palmos de ancho, en cuyo espacio se le nace una yerba muy menuda que le distingue de toda la demás de los lados, que por la fertilidad crece a media vara, y aunque agostada la paja, se quemen los campos, nunca la yerba del dicho camiño se eleva más.

O botânico Victor José Mendes Cardoso, professor adjunto da Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho de Rio Claro, especula que a tal erva miúda, mencionada também por outros autores da época, seria a gramínia vulgarmente conhecida como puxa-tripa ou Homolepis glutinosa, cujas sementes agarram nas patas de animais ou nas roupas e encontradas em profusão nos municípios de Cachoeira Paulista, Cananéia, Iguape, Itararé, Paraguaçu Paulista, São Carlos e São Paulo, todos ao longo de um dos ramais do Peabirú.

Registrada pela primeira vez pelo jesuíta Pedro Lozano em sua História da Conquista do Paraguai, Rio da Prata e Tucumán, no início do século XVIII a palavra pode ser o resultado da contração de “pe" – caminho; com "abiru" - gramado amassado. Por outro lado, mais de um cronista colonial refere-se ao Peru como Biru, o que faria com que a denominação correspondesse a uma corruptela de Pe-biru, ou caminho que leva ao Peru.

Apesar das dificuldades óbvias – como encontrar vestígios de um caminho feito de grama séculos depois numa área completamente mudada pela agricultura? – uma equipe comandada pelo arqueólogo e professor Igor Chmyz, da Universidade Federal do Paraná afirma ter identificado cerca de 30 quilômetros da antiga trilha na área rural do município de Campina da Lagoa. Seu trabalho informa que "nos trechos de mata, os vestígios do caminho eram perfeitamente visíveis. A trilha media 1,40 m de largura por 0,40 m de profundidade. Os seus restos desapareciam completamente nos terrenos desmatados ou lavrados, para novamente aparecerem nos trechos protegidos pela vegetação." [i] Para reforçar a tese de que os caminhos tinham relação com os incas, o arqueólogo André Prous, por exemplo, menciona o encontro de um machado de cobre em um sítio arqueológico localizado em Cananéia (SP), cuja análise demonstrou que a matéria prima usada na sua confecção era proveniente da região da Cordilheira dos Andes.


[i] Chmyz, I. & Sauner, Z. C. 1971. Nota prévia sobre as pesquisas arqueológicas no vale do rio Piquiri. Dédalo 13: 7-36.