O fato de ser neto do conquistador das ilhas Canárias e de ter nascido pouco antes da primeira viagem de Cristóvão Colombo fez com que Álvar Núñez Cabeza de Vaca fosse muito influenciado pelos êxitos e fracassos dos conquistadores do chamado Novo Mundo.
A maneira mais simples de imaginar o que foi aquela época e como os espanhóis foram impactados pelo êxito de algumas empreitadas é voltar ao dia 9 de janeiro de 1534, quando a chegada de um navio vindo do Peru paralisou Sevilha. O relato é de Francisco Jerez, testemunha da cena,:
Nesta nau vieram para Sua Majestade cento e cinquenta e três mil pesos de ouro e cinco mil e quarenta e oito marcos de prata. (O navio) (…) trouxe, para passageiros e particulares, trezentos e dez mil pesos de ouro e treze mil e quinhentos marcos de prata, sem contar os de Sua Majestade. Além das quantidades acima citadas, esta nau trouxe para Sua Majestade trinta e oito vasilhas de ouro e quarenta e oito de prata, entre as quais uma águia de prata em cujo corpo cabiam dois cântaros de água e duas panelas grandes, uma de ouro e outra de prata, nas quais poderia caber, em cada uma, uma vaca cortada em pedaços. (…) Este tesouro foi descarregado no cais e levado até a Casa da Contratação; as vasilhas em cargas e o restante em vinte e sete caixas; e uma parelha de bois levava duas caixas em cada carreta.
Com tanta prata ao alcance dos ousados e intimoratos, é fácil compreender como Cabeza de Vaca animou-se a voltar para as Américas depois da primeira expedição.
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