Escudo de Medina Sidonia
Escudo de Medina Sidonia
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Uma das passagens mais polêmicas da vida de Álvar Núñez Cabeza de Vaca ocorreu no tempo em que servia o quinto duque de Medina Sidonia, como camareiro. O jovem Alonso Pérez de Guzmán tinha problemas mentais e não conseguia nem assinar seu nome. Muito menos consumar o casamento com Ana de Aragão, neta do rei Fernando, o católico – que iria se casar com o irmão de Alonso.

Em 1532, durante o processo de anulação do mal sucedido casamento do duque, o nome de Cabeza de Vaca apareceria várias vezes, na condição de testemunha da impotência de seu chefe.

O empenho de um arquiinimigo de Cabeza de Vaca tornou públicos os depoimentos das testemunhas arroladas no processo – o próprio Álvar Núñez era então dado como morto na América do Norte e por isso, não prestou depoimento. Juan Francisco, ph.D pela Universidade do México, doutor em Filologia Hispânica[i] e professor assistente da Universidade de Vermont nos Estados Unidos, encontrou os depoimentos, no arquivo pessoal de outro personagem fascinante: a duqueza Luisa Isabel Alvarez de Toledo y Maura, Nascida no Estoril, em 1936 e falecida no dia 7 de março de 2008, Luisa Isabel Alvarez de Toledo y Maura, ficou conhecida como a Duquesa Vermelha. Contestatória, socialista, filiou-se ao PSOE e teve militância política de esquerda. Vivia no castelo de Sanlúcar de Barrameda cuidando dos arquivos da família e produzindo textos curiosos com interpretações personalíssimas da história espanhola e da conquista.Vivia com uma amiga alemã, Liliana, com quem se casou no final da vida e a quem deixou seus bens.

Voltando ao processo, nos autos, Francisco Estopinán, primo de Cabeza de Vaca, afirma que o camareiro desaparecido “deseaba mucho saber que el duque fuera para mujer, e le dixo a este testigo que le había visto al duque sus partes vergonzosas, e que no hallaba en el duque que oviese tenido parte con su mujer, e que se lo había hallado su miembro tan cerrado y sucio, que no le parecia que había tenido parte con mujer.”

Juan de Lasarte teria perguntado ao camareiro se ele havia visto o duque em conjunção carnal com a esposa. Cabeza de Vaca disse que não, mas mencionara que “las camisas que se desnudaba el duque venían sucias y llenas de simiente de varón”. Juan Manuel Olando afirmou que ele e Álvar Núñez haviam levado uma mulher para a cama do duque.

[i] Nascido nas Espanha, Juan Francisco Maura adotou a cidadania norte-americana e bacharelou-se pela Universidade do Texas. Seu mestrado e doutorado – com a tese Los naufragios o la arte de la automitificacíon - foram obtidos na Universidade do Novo México. É professor associado de Espanhol no Departamento de Línguas românicas da Universidade de Vermont. É também responsável por uma edição crítica dos Naufrágios.